Corredor Viajante – Felipe Hissa Coelho – Monaco Run

Prova: Monaco Run (10km)

Relato enviado em 09 de abril de 2012

Minha primeira competição: Mônaco Run 2012!

Nunca havia participado de nenhuma prova, sempre pratiquei musculação orientado por um personal e era um corredor de esteira até cinco meses atrás. Corria 5 km 2 ou 3 vezes por semana no máximo.

Queria sair um pouco da rotina, melhorar minhas corridas que estavam cada dia mais enfadonhas. Pesquisando pela internet, achei bastante interessante o site http://www.correrpelomundo.com.br, por conter várias experiências e dicas de provas ao redor do mundo.

Sempre tive um gosto meio extravagante, e portanto passei alguns dias clicando em todas as provas que existiriam pela Europa no primeiro semestre. Até que achei as informações de Mônaco Run. Sempre quis conhecer este belíssimo principado. Resolvi portanto que iria participar de minha primeira prova em Mônaco!

Em uma semana comprei a passagem Recife-Nice, assinei a Runners Brasil e comprei um Frequencimentro Garmin com GPS, liguei pro Personal para mudarmos os planos nessas próximas 12 semanas. Inicialmente queria correr os 23,8 Km, mas logo percebi que seria demais, afinal estava 12 Kg acima do meu peso e a falta de condicionamento não me permitiria chegar ao fim da corrida vivo.

Portanto, junto com meu personal Emerson, resolvemos traçar metas menores e não menos desafiadoras para mim: perder ao menos 6 kg e conseguir correr os 10 km do Mônaco Run dia 18/03. Não tinha ideia ainda da importância do pace, zonas de frequência cardíaca, alimentação antes, durante e após treinos… Enfim, resolvi correr…

Fui motivo de piada por algumas semanas achando que não conseguiria e que iria chegar numa ambulância. Isso foi maravilhoso por servir de estímulo. Passei a seguir à risca a planilha elaborada, tendo faltado apenas 3 treinos nas 12 semanas que anteciparam a prova.

Cheguei a Nice (aeroporto mais próximo a Mônaco) dia 16 de Março.  Fiz uma corrida no dia seguinte de 3.2km na orla do deslumbrante mar mediterrâneo com uma temperatura local de aproximadamente 8 graus (moro em Recife e acho que nunca corri a menos de 24 graus, obviamente não tinha roupa adequada). Terminei e fui de trem a Mônaco para pegar meu número, o chip e a camiseta.

Mônaco é realmente muito bonita e ostenta uma riqueza que impressiona, com lojas das melhores marcas, Ferrari, Lotus, iates monumentais. Acho que qualquer superlativo se enquadra quando descrevemos esse principado. Após babar as Ferraris, Porches lojas grandiosas, cheguei finalmente ao estádio Louis II, peguei meu número que também era chip, a camiseta, e retornei, não sem antes tomar 2 tacinhas de champanhe, pagando a bagatela de 7 euros cada. Queria ter provado uns ouriços do mar mas fiquei com medo, afinal a corrida seria no outro dia.

Consegui dormir apenas umas 5 horas, ansioso e com medo de não terminar, reli todas as Runners que tinha no meu ipad para ver se existia alguma dica. Claro que tinha consciência que meu tempo de preparação fora pouco e só havia perdido 4 kg da minha meta, mas também tinha ao meu favor o fato de estar seguindo fielmente as planilhas e que estava terminando meus 10 km em 01h08min a 01h13min. Tempo ruim para minha exigência, mas era o que deveria seguir para terminar vivo.

Resolvi portanto correr a 7min/Km e terminaria a prova em tranquilidade. Acordei às 7 da manhã, comi 02 croissants com queijo branco, peguei meu carbogel e o trem para Mônaco. A meu ver, o evento não era grande, acho que havia uns 1.500 inscritos, e o povo não era lá essa animação toda – mas, para mim, tudo aquilo era novidade, estava animado e nervoso ao mesmo tempo.

Logo ao chegar em Mônaco

A temperatura estava uns 13 graus e eu com meu short e camiseta, coloquei a camisa do evento por cima. No local achei interessante ter um professor num palco com música fazendo aquecimento já para entrar no clima. Encontrei um brasileiro (tinham uns 8 participando) que era experiente em provas, de uns 50 anos, e se impressionou com minha decisão de cruzar o Atlântico para realizar minha primeira corrida. Ele me deu a dica de esquecer os outros e seguir meu pace. Foi o que fiz!!

Amigo brasileiro que me tranquilizou e me deu as dicas

A largada foi dada e eu lentamente aproveitando a belíssima paisagem do principado, imaginando como deveria ser morar por lá, se era possível validar meu diploma de médico para trabalhar em Mônaco.  Claro sem descuidar do meu Garmin. Tive alguns problemas: primeiro passamos por 4 túneis , inclusive o da Fórmula 1, e toda vez que entrava, meu GPS perdia o sinal, e eu ficava doido sem saber meu pace, afinal era esse o objetivo: seguí-lo. Segundo: tinha uma inclinação e um declive, pequeno, é verdade, mas fiquei sem saber como me comportar, se diminuía na subida e aumentava na descida, resolvi ir constante mesmo… Afinal, não era hora para filosofar sobre vida.

No quinto km, quando esperava por água (afinal, por morar em Recife, sempre tomo 500 a 1000 ml de água por corrida)  não vi nem sinal dela. Bateu um arrependimento por não ter trazido meu cinto de hidratação, mas durou apenas uns minutos, pois logo à frente encontravam-se lá geladinhas.

No último Km da corrida

Por fim, fui contando os Km que faltavam com muita tranquilidade, pensando em Senna e observando os iates a arquitetura e olhando para o pace. Nos últimos 3 km, percebi que estava bem, e que chegaria ao fim. Acelerei o pace para abaixo dos 6′/Km e finalizei a prova no meu limite a um tempo real de 01h06min:18. Longe dos melhores, e do que acho que seria capaz após uma preparação mais adequada, no entanto, fiquei feliz pois terminei, minha família estava toda lá (foram torcer por mim) orgulhosos.

A poucos metros do fim

Peguei minha medalha e desci para comer algo. Uma mesa repleta de frutas, sucos e bolos, uma área para massagem, e no canto, o melhor da premiação: uma choperia. Se eu soubesse que ela estaria me esperando, certamente terminaria bem mais rápido. Passei bem uma hora nesse setor, tomando uns 6 copos de Chopp; adorei, pois além de ser minha bebida favorita, um Chopp em Mônaco custa 6 euros. Portanto pagou minha inscrição que custou 15.

Medalha, Bandeira e Chopp ao final da prova

A mim, restou o aprendizado: toda essa minha preparação valeu a pena e tirando os 2 kg que não perdi, meu objetivo foi cumprido. Voltei mais encantado com esse esporte e já comecei dia 02/04 uma nova planilha para correr outra prova, dessa vez vou ousar uma meia maratona, no segundo semestre, pretendo fazer uma corrida por ano fora do Brasil, e de preferência em locais não tão comuns, para aumentar um pouco minha cultura e o prazer de participar dessas provas.

Abraço a todos e um agradecimento especial ao site pois sem ele nem teria conhecimento de como é divertido participar dessas corridas.

Encontro-me a disposição para tirar qualquer dúvidas ou ajudar no que eu, mero amador, puder

Felipe

One Response to “Corredor Viajante – Felipe Hissa Coelho – Monaco Run”

  1. Regina disse:

    Vc é O MELHOR!!!
    Parabéns pela perseverança e determinação!!
    Te amo! Bjos

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